quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Plano americano para invadir o Brasil na Segunda Guerra.

domingo, 5 de junho de 2011

Revolução Meiji

Historicamente, o Japão esteve isolado do Ocidente até a chegada das primeiras embarcações mercantilistas portuguesas, em 1542. Esse primeiro contato não teve efeitos positivos, principalmente por causa dos interesses lusitanos em propagar o cristianismo entre os japoneses pela ação dos jesuítas. Na primeira metade do século XVII, o governo nipônico realizou a execução de milhares de cristãos japoneses e determinou o fechamento dos portos.

Entre os séculos XVII e XIX, o Japão era controlado pelo xogum (shogun), uma espécie de primeiro-ministro de poder hereditário que tinha amplos poderes. Além disso, observamos a presença de uma ampla aristocracia (damaios) que exercia o poder local (fragmentado em pequenos feudos chamados "damiôs") através dos samurais (aqueles que servem), uma classe de guerreiros
profissionais, durante muito tempo guardas pessoais do imperador. Inicialmente eram meros coletores de impostos, mas precisaram impor força para enfrentar resistências camponesas, com isso, viraram uma espécie de casta militar japonesa. Os samurais eram extremamente orgulhosos, durante a repressão da dinastia Meiji, muitos praticaram o "seppuku", ou "arakiri", o suicídio honrado, pois não toleravam viver carregando vergonha no caráter. Ao longo do tempo, o domínio da família Tokugawa sob o xogunato (shogunato) acabou desenvolvendo uma frequente disputa de poder com os grandes proprietários.

Representação dos samurais japoneses.


Yoshinaba Tokugawa, o último shogun

A Restauração Meiji tinha como um dos principais objetivos a queda do Shogunato – que mantinha o país em uma forma de governo sob o comando ditatorial e praticamente mergulhado em um sistema feudal – para a concentração de poderes nas mãos do imperador e completar a ocidentalização japonesa sem resistências do conservadorismo aristocrata. O extermínio dos samurais e a vitória sobre os últimos damaios e shoguns, foi representado (com a licença poética típica de Hollywood) no filme "O Último Samurai" de 2003.

O imperador Meiji


Cartaz do filme "O Último Samurai" de 2003.

Porém, com isso, a classe dos samurais, que havia ganhado grandes privilégios e um do status mais invejável dentro da sociedade, perderam tudo o que tinham e muitos se tornaram vagabundos andantes, os chamados "Rurouni".

A partir de 1850, as nações ocidentais passaram a desenvolver estratégias políticas que pressionavam a abertura política e econômica japonesa. Em 1854, sob o comando do almirante Perry, uma esquadra norte-americana impôs a abertura dos portos nipônicos ao mercado mundial. Por meio de sérias ameaças militares, os japoneses foram obrigados a assinar tratados comerciais com diferentes países.


Buscando reagir ao processo de dominação, os japoneses permitiram que seus jovens fossem enviados à Europa e os Estados Unidos para estudarem em universidades voltadas para os campos de ciência e tecnologia. Com o passar do tempo, a população japonesa começou a dominar o conhecimento necessário para a criação de suas primeiras indústrias. Em pouco tempo, esse projeto de modernização também foi seguido pelo campo político, com a chamada Revolução Meiji.

Soldados modernizados (armas de fogo).

Manifestações de cunho nacionalista passaram a se opor ao domínio absoluto do xogunato. Dessa forma, com o apoio do Exército e da Marinha, Mitsuhito, o imperador Meiji, empreendeu uma série de reformas que deram uma nova feição política ao Japão. O antigo poder político dos donos de terra foi substituído por um sistema de prefeituras locais subordinadas ao poder central. Além disso, houve a instalação de um Poder Legislativo formado por um parlamento bicameral.


A partir desse novo momento, as atividades econômicas se voltaram para o desenvolvimento agrícola e a formação de uma consistente indústria de base. Paralelamente, um novo sistema de cobrança tributário permitiu que o governo arrecadasse impostos que ampliaram a realização de investimentos na economia e o incremento de suas forças armadas. A Revolução Meiji está inserida dentro do contexto da Segunda Revolução Industrial, que ampliou a modernização tecnológica comercial, iniciada na Inglaterra no século XVIII, para outras
nações, como Alemanha, França, Itália, Bélgica, EUA e Japão, além de inovar com máquinas de transformação, novas fontes de energia (fósseis, elétrica) e progresso dos transportes e comunicações.

O imperador Meiji recebe o czar russo.

Em pouco tempo, o Japão se transformou em um belo exemplo de modernização nos campos político e industrial para todo o Oriente. Já nos fins do século XIX, os japoneses passaram a integrar o movimento imperialista realizando a dominação de territórios na China, na Coreia e na Ilha de Formosa (atual Taiwan). No início do século XX, a vitória militar contra os russos consolidou o Japão enquanto potência imperialista e principal rival econômica dos Estados Unidos na região do Pacífico.

domingo, 22 de maio de 2011

Cruzadas.

Entender o que foram as Cruzadas não é difícil se partirmos inicialmente do entendimento de seu próprio nome. Seu nome deriva da palavra "cruz", que indica o martírio de Jesus Cristo carregando-a e sendo nela pregado, até morrer de maneira lenta e dolorosa. Durante a Idade Média, a Igreja transformou a cruz no símbolo do cristianismo. Assim, as Cruzadas foram expedições organizadas pela Igreja para levar o cristianismo para outros povos, que não seguiam essa religião.


Indumentárias típicas dos cruzados. O da direita é um "hospitalar", padre que lutava e tratava feridos.

No entanto, para impor essa cruz, ou a fé em Cristo, para ou praticantes de outras religiões, não adiantava usar somente a palavra. Para povos que oferecessem resistência, a palavra seria de pouca serventia. Assim, a força armada era o principal elemento dessas expedições, que se denominavam também de "Guerra Santa".


Soldados cruzados executando "infiéis". Percebam Cristo em detalhe, ao lado dos guerreiros.

A principal justificativa das Cruzadas foi reconquistar territórios perdidos para os inimigos da fé católica, ao mesmo tempo trazendo novos povos e regiões ao domínio da Igreja. Assim, a primeira Cruzada partiu em 1096, convocada pelo papa Urbano II, para Jerusalém, no Oriente Médio, região do nascimento de Jesus, considerado lugar sagrado pelos cristãos.



"INFIEIS" NA TERRA SANTA:


Jerusalém estava sob domínio árabe desde o século VIII, ainda pelos califas "rashidun". Porém, quando foi dominada pelos turcos, o cristianismo foi proibido na chamada "Terra Santa". Essa primeira Cruzada durou três anos: percorreu grande parte do continente europeu e, atravessando parte do mar Mediterrâneo, chegou a Jerusalém por terra.



Ao longo de mais de 200 anos, entre os séculos XI e XII, foram realizadas oito Cruzadas. A mais longa durou seis anos e a mais curta, apenas um. No decorrer desse período, as Cruzadas foram desfazendo o isolamento em que a Europa se metera na Alta Idade Média, e reativando cada vez mais o trânsito por mar, chegando, inclusive, a retomar o contato com o continente africano.

Essas expedições em busca de novas terras atraíam milhares de pessoas. Havia um forte elemento religioso que motivava essas pessoas a virarem os "soldados de Deus". Ao atribuir às Cruzadas o caráter de "Guerra Santa" e considerá-las sagradas, a Igreja católica prometia aos seus soldados um lugar no Paraíso, depois de sua morte. Mas, além da justificativa religiosa, o interesse econômico de atacar outros povos, invadir suas cidades e saquear suas riquezas, era certamente algo interessante para os cavaleiros que marchavam nas Cruzadas.



Comitiva nobre bizantina em visita ao castelo de Balduíno, rei cristão de Jerusálem.


UMA CRUZADA PARALELA (DOS MENDIGOS):

Assim, mais do que empreendimentos exclusivamente espirituais, as Cruzadas foram financiadas tanto pela Igreja, como pelos nobres e por ricos comerciantes, como um negócio ou investimento. Por outro lado, uma legião de miseráveis acabou se juntando à primeira delas, e compôs uma Cruzada paralela, não oficial, que chegou a ser condenada pelo Papa.

Isso ocorreu entre 1096 e 1099. Assim, essa primeira expedição oficial que rumava para Jerusalém, a fim de reconquistar a terra ocupada pelos turcos, foi copiada por uma expedição de pobres e miseráveis, que também queria seu lugar no céu, bem como riquezas na Terra. No entanto, essa "Cruzada paralela", organizada por Pedro, o Eremita, que conseguiu juntar 50 mil fiéis, foi aniquilada ao chegar em Constantinopla. A Cruzada dos Miseráveis é sarcasticamente retratada nos filmes de "Brancaleone", um ícone do humor histórico.


Representação da Cruzada dos Mendigos em Brancaleone.


Capas dos dois geniais filmes italianos do pseudo-cavaleiro Brancaleone (1966).

Já a Cruzada oficial, financiada pela nobreza e comandada por Godofredo de Bouillon, contou com 100 mil homens soldados e terminou com um final feliz para os cruzados: eles conseguiram não só reconquistar Jerusalém, como também a tomar a terra dos turcos.


Godofredo de Bouillon chegando em Jerusálem

Recomendo o filme "Cruzada" (Kingdom of Heaven) para melhor compreensão do fato, especialmente o fim da primeira cruzada e a reconquista turca através do sultão Saladino.



Capa original do filme Cruzada (2005).


SALADINO E RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO:

Quase 50 anos depois, Jerusalém foi reconquistada pelos turcos e a Igreja teve nova justificativa para empreender uma outra Cruzada. Assim, entre 1147 e 1149, ocorreu a Segunda Cruzada, financiada por nobres franceses e germânicos. No entanto, essa campanha resultou num grande fracasso para os europeus.


A vitória de Saladino.

Quatro décadas se passaram, quando se resolveu empreender mais uma expedição militar à Terra Santa. Essa Terceira Cruzada, ocorrida entre 1189 e 1192, mais do que ter financiamento dos nobres, teve a presença dos reis de três dos principais reinos daquele período: da França, com Felipe Augusto; da Inglaterra, com Ricardo Coração de Leão, e do reino germânico, com Frederico Barba Ruiva.

Apesar disso, a expedição também foi derrotada militarmente. O Barba Ruiva morreu antes de chegar ao campo de combate, ainda que Ricardo Coração de Leão tenha conseguido um acordo com Saladino, o que permitiu aos cristãos pelo menos o direito de rezarem desarmados em Jerusalém.



VENEZIANOS E CRIANÇAS (A CRUZADA DAS CRIANÇAS OU DOS INOCENTES):

As demais Cruzadas não foram expressivas pelo sucesso de sua missão religiosa, mas por outros motivos. Assim, a Quarta Cruzada, realizada entre 1201 e 1204, que foi financiada pelos comerciantes de Veneza, trouxe grandes benefícios a seus organizadores, pois submeteu povos da Grécia e os bizantinos aos tratados comerciais venezianos.

Em 1212, houve uma Cruzada bastante curiosa, não reconhecida pela Igreja católica, organizada por um menino de 12 anos, chamado Estevão de Cloyes. Este garoto conseguiu juntar com ele mais 30 mil jovens, que acreditavam que o Mar Mediterrâneo se abriria para eles chegarem até o Oriente Médio. Muitos comerciantes e proprietários de navios se interessaram por essa Cruzada, prometendo transportar as crianças para a Terra Santa. Na verdade, o que fizeram foi vendê-los como escravos nas cidades pelas quais passavam. Podemos interpretar também que essa cruzada foi uma estratégia para reduzir a crise de fome que assolava parte da Europa, enviando crianças das classes baixas, muitas órfãs, as principais vítimas da crise.



Representações da Cruzada das Crianças (dos Inocentes).


ÚLTIMAS CRUZADAS:


Todas as outras Cruzadas foram fracassos militares: tanto a Quinta, organizada entre 1217 e 1221, quanto a Sexta, realizada entre 1228 e 1229. Esta última foi condenada pelo Papa, pois seu líder, Frederico II, Imperador do Sacro Império Germânico passou por cima da autoridade papal, fazendo acordos diplomáticos com os egípcios.
Finalmente, com quase 30 anos de distância uma da outra, a Sétima e a Oitava Cruzadas foram realizadas pelo rei francês Luiz 9º. Este rei, tratado com um santo pela Igreja católica, foi feito prisioneiro pelos seus inimigos durante a Sétima Cruzada (que durou 6 anos, entre 1248 a 1254). Na Oitava e última Cruzada, que durou apenas um ano, em 1270, o final da expedição foi ainda pior. A maior parte dos cruzados, inclusive Luiz IX, acabou morrendo de peste antes de chegar à Terra Santa. Como pudemos ver, as Cruzadas envolveram interesses e crenças de diversos grupos sociais da Idade Média. Pobres, vagabundos, crianças sem perspectiva; nobres poderosos, influentes reis em busca de expansão de seus poderes; ricos comerciantes dispostos a estabelecerem novas rotas de comércio. Todos essas pessoas, com seus projetos e intenções fizeram parte das expedições religiosas e armadas, idealizadas pela Igreja católica para ampliar o domínio do cristianismo no mundo.


CONSEQUÊNCIAS DAS CRUZADAS:


Os objetivos militares iniciais das Cruzadas não foram conquistados, mas esse evento provocou uma séria mudança no contexto econômico e cultural europeu. O contato dos cruzados com certos produtos orientais, como raízes medicinais, perfumes, temperos, as chamadas "especiarias", estimulou o renascimento do comércio na Europa, reativando antigas rotas comerciais do Mediterrâneo e proporcionando o surgimento de núcleos comerciais e vilarejos de comerciantes, os chamados burgos, base da burguesia, classe responsável pelas grandes alterações políticas e econômicas da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. As cidades-estado italianas de Gênova, Veneza e Florença foram muito beneficiadas com o comércio de produtos orientais. O enriquecimento da burguesia dessas cidades favoreceu o Renascimento Cultural e Científico delas, que tornaram-se os grandes centros irradiadores dessas novas ideias.


CONFIRA ESSA PRODUÇÃO DO HISTORY CHANNEL:

PRIMEIRA CRUZADA:
PARTE 1:


PARTE 2:


PARTE 3:


PARTE 4:


PARTE 5:


PARTE 6:


PARTE 7:



SEGUNDA CRUZADA:
PARTE 1:


PARTE 2:


PARTE 3:


PARTE 4:


PARTE 5:


PARTE 6:


PARTE 7:

domingo, 15 de maio de 2011

Feudalismo

Estudar o feudalismo é conhecer a fundo o modo como viviam as pessoas no período medieval. O feudalismo pode ser definido como um modo de produção, ou seja, a forma pela qual as pessoas faziam produtos necessários à sua sobrevivência. Também é entendido como um sistema de organização social, estabelecendo como as pessoas se relacionavam entre si e o lugar que cada uma delas deveria ocupar na comunidade. O feudalismo consolidou-se a partir do século 8 e teve seu período de maior desenvolvimento até o século 10, como consequência do fim do Império Carolíngio, ruindo as esperanças de reconstruir a unidade europeia, revivendo a época romana. Depois disso, esse modelo de sociedade ainda sobreviveu em alguns reinos europeus até o século 15, no final da Idade Média, como também vestígios dessa organização perduraram até o período absolutista de várias nações.

SERVIDÃO:

A servidão era uma espécie de escravidão mais branda, pois, ainda que os servos não fossem vendidos, estavam obrigados por toda a vida a entregarem produtos e prestarem serviços a seus senhores. Além disso, não eram proprietários das terras em que trabalhavam, pois estas lhes eram "emprestadas" pelos senhores. A servidão era transmitida dos pais para os filhos, assim como os títulos de nobreza também eram hereditários.
Por sua vez, os nobres poderosos eram os chamados senhores feudais. Tinham esse nome em função do tipo de propriedade que possuíam, os feudos. Estes eram extensas propriedades de terras, mantidas isoladas para garantir a proteção das pessoas que ali viviam dos ataques de inimigos externos. Essas unidades eram supridas com uma produção de alimentos quase auto-suficiente, de subsistência, ou seja, produzida pelos próprios moradores, na medida de suas necessidades de consumo. No plano dessas relações servis, havia diversos tipos de impostos que os servos tinham que pagar aos seus senhores, incluindo também os serviços que prestavam a eles. Desse modo, no manso senhorial - que eram as terras do feudo de uso do senhor e representavam um terço da área total - os servos tinham que trabalhar vários dias por semana, numa prática chamada de corvéia.

O feudalismo foi marcado pela divisão estamental da sociedade em três classes sociais básicas: O clero, a nobreza e os servos. A mentalidade da época classificava cada uma como uma parte do corpo humano. O clero seria a cabeça, responsável pela intelectualidade e orar; a nobreza seria os braços, responsável pela defesa; os servos seriam os pés, responsáveis pelo trabalho, fazer a sociedade "andar".

Representação de um clérigo, um nobre e um servo.

IMPOSTOS E TAXAS DO FEUDO:

No manso servil - que eram as terras pertencentes ao feudo, de uso dos camponeses, mas não de sua propriedade - parte do que era produzido ia para o senhor feudal. Essa taxa ficou conhecida como talha. Como os senhores feudais não deixavam escapar nenhuma oportunidade de cobrança de taxas ou impostos, os servos também pagavam a banalidade, um imposto pelo uso dos fornos e moinhos que o senhor controlava. Havia também um pagamento relativo ao número de servos que moravam nos feudos, e era cobrado individualmente, "por cabeça" (ou em latim per capita): era a capitação. Por fim, o imposto da mão morta é uma demonstração cabal de até onde podia chegar a exploração dos senhores feudais sobre os servos, pois, além de herdar a servidão dos pais, quando estes morriam, os filhos ainda deveriam pagar mais essa taxa, para continuarem servindo ao mesmo senhor. Mas não eram somente servos e senhores feudais que viviam em função dos feudos. Havia também homens livres e vilões (moradores de vilas, ou pequenas povoações). Estes eram pessoas pobres, que, para terem direito de plantar e colher em suas terras, trabalhavam também no manso senhorial, pagando ao senhor a corvéia.


Esquema da divisão de terras dentro do feudo (manso senhorial e servil), além de calendário para orientação do plantio e colheita.

SUSERANIA E VASSALAGEM:
Os vilões e homens livres contribuíam com um outro imposto, o censo, baseado no número de indivíduos que compunham essa população livre. A novidade do censo é que ele era o único pago em dinheiro, já que todos os outros tributos consistiam em serviços ou produtos agrários. Isso evidencia o quanto era pequena a circulação de moedas na Europa, durante esse período. Por fim, além do aspecto econômico dessas relações sociais, havia também práticas políticas e simbólicas dentro da sociedade medieval. Assim, os acordos entre os mais e os menos poderosos chamavam-se suserania e vassalagem. Dessa forma, os pobres tornavam-se vassalos dos senhores, que, por sua vez, eram chamados de suseranos. Essas relações de proteção e lealdade também ocorriam dentro da nobreza, quando um nobre mais pobre se tornava vassalo de um senhor mais rico e de maior prestígio. Havia vários ritos entre os nobres para celebrar esse pacto de fidelidade. No momento da assinatura do termo de doação de terras ou concessão de favores do suserano (senhor mais rico) ao vassalo (senhor mais pobre) um beijo entre os dois poderia selar o acordo, além de o vassalo ajoelhar-se perante o suserano.

Suseranos recebendo homenagens de vassalos.

Essas liturgias são mantidas em algumas atitudes da atualidade, principalmente no aspecto religioso. No cristianismo, por exemplo, o ato de se ajoelhar com as mãos juntas para a reza é herança da suserania e vassalagem. Entre cristãos orientais, o beijo no rosto ainda simboliza fidelidade entre cargos e negócios). Podia-se receber também a
investidura, que era um ramo de folhas ou outro objeto entregue pelo suserano ao vassalo. As investiduras funcionavam como símbolo das terras que a eles estavam sendo concedidas.

Exemplo da manutenção da homenagem oscular entre sacerdotes ortodoxos.