terça-feira, 27 de abril de 2010

Imagens de testes nucleares.

Atendendo a pedidos, dois vídeos mostrando os testes nucleares dos EUA nos anos 50 e 60 do século XX. Tais testes foram realizados no estado de Nevada e nas áreas selecionadas foram construídas toda uma estrutura urbana fictícia, de materiais diversos, para registro dos efeitos da explosão e da radioatividade.

O segundo vídeo é todo narrado em inglês, sem legendas, mas ilustra bem a potência desses artefatos terríveis, criados pela humanidade no fim da 2ª Guerra, e até os dias atuais ainda amedrontam o imaginário de várias nações.




sábado, 24 de abril de 2010

Diferenças entre o gótico histórico e o contemporâneo.

Sempre que ministro o assunto "Idade Média" ou "Arte Medieval" em sala de aula surgem as indagações se o gótico dos livros de história é a mesma coisa da cultura gótica da atualidade. Pois bem, decidi então postar essa explicação do site "Spectrum Gothic" para vocês. Joy!

"Ao longo da história, o termo Gótico foi usado como adjetivo ou classificação de diversas manifestações artísticas, estéticas e comportamentais. Dessa maneira, podemos ter uma noção da diversidade de significados que esta palavra traz em si.

Originalmente, Gótico deriva-se de Godos, povo germânico considerado bárbaro que diluiu-se aproximadamente no ano 700 d.C.. Como metáfora, o termo foi usado pela primeira vez no início da Renascença, para designar pejorativamente a tendência arquitetônica, criada pela Igreja Católica, da baixa Idade Média e, por conseqüência, toda produção artística deste período. Assim, a arquitetura foi classificada como gótica, referindo-se ao seu estilo "bárbaro", se comparado às tendências românicas da época.

No século XVIII, como reação ao Iluminismo, surge o Romantismo que idealiza uma Idade Média, que na verdade nunca existiu. Nesse período o termo Gótico passa a designar uma parcela da literatura romântica. Como a Idade Média também é conhecida como "Idade das Trevas", o termo é aplicado como sinônimo de medieval, sombrio, macabro e por vezes, sobrenatural. As expressões Gothic Novel e Gothic Literature são utilizadas para designar este sub-gênero romântico, que trazia enredos sobrenaturais ambientados em cenários sombrios como castelos em ruínas e cemitérios. Assim, o termo Gothicism, de origem inglesa, é associado ao conjunto de obras da literatura gótica. Posteriormente, influenciado pela Literatura Gótica, surge o ultra-romantismo, um subgênero do romantismo que tem o tédio, a morbidez e a dramaticidade como algumas características mais significativas.

No final da década de 70 surge a subcultura gótica influenciada por várias correntes artísticas, como o Expressionismo, o Decadentismo, a Cultura de Cabaré e Beatnick. Seus adeptos foram primeiramente chamados de Darks, aqui no Brasil, e apreciavam bandas como Joy Division, Bauhaus, The Sisters of Mercy, Lacrimosa, entre tantas outras. Atualmente, a subcultura gótica permanece em atividade e em constante renovação cultural, que não se baseia apenas na música e no comportamento, mas em inúmeras outras expressões artísticas.

Nos meados da década de 90, viu-se emergir uma corrente cultural caracterizada por alguns elementos comportamentais comuns ao romantismo do século XVIII, como a melancolia e o obscurantismo, por exemplo. Na ausência de uma classificação mais precisa, esta corrente foi denominada Cultura Obscura. Porém, de forma ampla e talvez até equivocada, o termo Goticismo também é usado para denominá-la.

Há algumas semelhanças entre Cultura Obscura e Subcultura Gótica. Mas há também diferenças essenciais que as tornam distintas. Por exemplo, a Cultura Obscura caracteriza-se por valores individuais e não possui raízes históricas concretas como a subcultura gótica. Entre os apreciadores da Cultura Obscura, é possível determinar alguns itens comuns, como a valorização e contemplação das diversas manifestações artísticas. Além de uma perspectiva poética e subjetiva sobre a própria existência; uma visão positiva sobre solidão, melancolia e tristeza; introspecção, medievalismo, entre outros.

Sintetizar em palavras um universo de questões filosóficas, espirituais e ideológicas que agem na razão humana, traz definições frágeis e incompletas de sua essência. Obscuro, Sombrio ou Gótico podem ser adjetivos de diversos contextos e conotações."

sábado, 17 de abril de 2010

A Inconfidência Mineira e Tiradentes.


A população de Vila Rica, atual Ouro Preto - MG, já não conseguia arcar com todos os tributos cobrados, como o "Quinto". Em 1783, para piorar as coisas, D. Luís da Cunha Meneses foi nomeado para governar a capitania e passou a praticar todo tipo de arbitrariedades.

A atitude de Meneses gerou um clima de revolta nos moradores da capitania das Gerais. Seu substituto, o Visconde de Barbacena, chegou em 1788 com uma incumbência ainda pior do ponto de vista da população: ele deveria lançar a "Derrama" (confisco de todo objeto de valor das residências daqueles habitantes que não conseguissem pagar a taxa mínima de ouro). A cobrança dos impostos atrasados fez com que as elites de Minas Gerais, inspiradas pelas idéias iluministas e pela Independência dos Estados Unidos, começassem a conspirar contra a Coroa. Mas quem eram esses conspiradores? A maioria eram filhos da elite aurífera, ou homens formados que, por causa da fortuna de seus pais, conseguiram estudar nas melhores universidades européias, entrando assim em contato com as idéias mais avançadas da época. Conheça alguns deles:
  • José Álvares Maciel: diplomado em filosofia, em Coimbra;
  • José Inácio Alvarenga Peixoto: bacharel que explorava ouro;
  • Cláudio Manuel da Costa: poeta e bacharel;
  • Tomás Antônio Gonzaga: desembargador e poeta;
  • José da Silva Rolim: vigário;
  • Luís Vieira da Silva: homem rico que possuía uma grande biblioteca;
  • Francisco de Paula Freire de Andrade: tenente-coronel;
  • Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes: dentista prático. Apesar de não ser rico nem diplomado, foi considerado o grande líder do movimento.
O objetivo dos conspiradores era romper completamente com Portugal. Tinham também outros planos:
  • mudança da capital para São João del Rey (a antiga capital era Ouro Preto);
  • fundação de uma universidade em Vila Rica;
  • abertura de fábricas de tecidos, ferro e pólvora (proibidas por decreto de 1785);
  • organização de milícias populares para defender o regime na forma de república;
  • emissão de papel-moeda.
A abolição da escravatura foi proposta por Tiradentes e Alvarenga Peixoto; porém, os demais inconfidentes foram contra essa proposta.

O movimento que entrou para a História como Inconfidência Mineira (ou Conjuração Mineira), deveria começar quando fosse lançada a derrama. A senha que desencadearia tudo era: Hoje é o dia do batizado. A insurreição não ocorreu, pois foi delatada por Silvério dos Reis, um coronel que devia enormes somas à Coroa. No dia 15 de março de 1789, o traidor fez um pormenorizado relato dos planos ao Visconde de Barbacena. Este, astutamente, suspendeu a derrama, um dos trunfos com que os rebeldes contavam para levantar a população contra as autoridades. O visconde não mandou prender imediatamente os envolvidos. No dia 10 de maio de 1789, Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro. Dias depois, os outros conjurados foram detidos. Numa primeira sentença, vários envolvidos foram condenados à pena de morte, mas não fui cumprida.

Com exceção da de Tiradentes, os demais acabaram comutadas para degredo perpétuo. Tiradentes, o mais pobre, acabou assumindo toda a culpa. No dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado e esquartejado, as partes de seu corpo foram expostas na estrada que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro. Na época colonial e imperial, Tiradentes era lembrado como traidor, devido ter cometido o crime de "Lesa-majestade", traição contra a monarquia lusitana, sua residência foi destruída e o terreno salgado para não nascer mais nada lá, e sua família foi "amaldiçoada" por várias gerações subsequentes. Porém, com a proclamação da República em 15/11/1889, o novo governo decidiu transformar Tiradentes num mártir da causa republicana, criando um dos primeiros "heróis" da História Oficial do Brasil, retirando a "maldição" imposta pelo antigo sistema e criando um feriado nacional, no dia da morte dele, para reforçar a memória e os ideais do atual sistema.